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Auditorio de Galicia | Compostela

E se fosse proibido abraçar

Jose Manuel Neves

E se fosse proibido abraçar

E se fosse proibido abraçar?
Não havia forma de partilhar,
Os sentimentos que despertam,
Quando a alma sente solidão
E quase para de bater o coração,
Quando as tristezas nos apertam.

Se o terno abraço fosse proibido,
Esse carinho por nós sentido,
Por não se poder demonstrar,
Ficava perdido entre a gente,
Nesse espaço onde não se sente,
Dois braços para nos apertar.

A criança que o medo acordou,
Do pesadelo que a despertou,
Ficava só para ali, a chorar.
Sem o colo que a aconchegava,
Sem a ternura que a consolava,
Por não ser permitido abraçar.

Ao amigo a quem se escreveu
Notícias da vida que aconteceu,
Numa carta, que ao terminar,
Apenas se escreviam desejos
Para a vida e seus ensejos
Mas um abraço não podia enviar.

Quando voltas ao fim da tarde
E o cansaço do dia te invade,
Desejas que alguém te abrace.
Mas se houvesse essa proibição,
Só te restava como solução
Sentares-te a esperar que passe.

E o mundo que está carente
De mais amor entre a gente
Que faça o sofrer parar.
Mesmo não havendo proibição,
Há muito que perdeu a noção
Que nos devemos abraçar.

Saudade e noite escura.
Edições Vieira da Silva, 2019, pp. 17,18.

Desprazamento
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